
Professora Lilia Jonat Stein
– Especialista em Gestão Escolar. Habilitação em Administração Escolar, Inspeção, Orientação e Supervisão.
– Licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo.
Meu nome é Lilia Jonat Stein, nasci e cresci em Melgacinho, uma comunidade pomerana na zona rural do município de Domingos Martins, estado do Espírito Santo. Até meus 19 anos, enfrentei os trabalhos na lavoura. Só depois retomei os estudos e me formei Professora de Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Trabalhei na área pública da educação durante 34 anos. Vivenciei muitos momentos que me marcaram profundamente, os quais possibilitaram me tornar uma pessoa melhor, sensível em vários aspectos e militante nas causas da cultura pomerana.
Meu contato com a língua pomerana começou no momento das minhas primeiras palavras. Minha família é de origem pomerana, meus bisavós vieram da Antiga Pomerânia, região esta, que hoje pertence a atual Polônia. Aprendi o português por volta de 7 anos de idade, quando ingressei na escola. Na época, nunca conseguia entender por que na escola era preciso falar outra língua. Os alunos só podiam se comunicar em pomerano na hora do recreio, longe da professora. Isso gerava um grande transtorno nas crianças que não entendiam o Português e na maioria das vezes eram consideradas incapazes de suas atribuições. O tempo passou, as coisas foram mudando. O respeito e o direito a diversidade conquistaram o seu espaço, mas muitas crianças pomeranas ainda chegam à escola somente falando a língua materna (pomerano) e na maioria das vezes o professor não sabe se comunicar em Pomerano. Não havendo materiais didáticos editados em Língua Pomerana, comecei a me questionar o que eu poderia fazer para contribuir na ressignificação da Língua Pomerana.
Em 2009, fui convidada para coordenar o Programa de Educação Escolar Pomerana – PROEPO na Secretaria Municipal de Educação no município de Domingos Martins, ES. Foi então, que me dediquei mais ao estudo da ortografia pomerana e comecei a produzir materiais didáticos em Língua Pomerana para disponibilizar entre os professores.
Foi um período de muito aprendizado, novas experiências e dedicação para que eu pudesse repassar os meus conhecimentos da melhor forma possível aos professores. Durante essa trajetória em visitas aos educandários pude comprovar de perto o quanto o sistema educacional é falho quando o assunto é diversidade e igualdade de direitos. Essa vivência foi a mola propulsora para eu continuar essa transmissão do conhecimento da língua, para que outras pessoas também pudessem ter a oportunidade de aprender a organização ortográfica do idioma.